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7. Cuidados de Saúde no Ambulatório
Índice Listas Siglas 1. Introdução 2. Orientações 3. Cenários 4. Comando 5. Informação 6. Saúde Pública 7. Ambulatório 8. Internamento 9. Laboratório 10. Medicamentos 11. Comunicação Anexo A Anexo B
Plano de Contingencia dos Açores para a Pandemia da Gripe
   

Os cuidados de saúde no ambulatório e internamento articulam-se no que respeita à identificação dos casos de gripe (possíveis ou confirmados) e à referenciação aos Hospitais, apesar da abordagem da gripe recair, predominantemente, nos serviços de ambulatório.

7.1. Circuito de triagem e referenciação no ambulatório

Os objectivos da prestação dos cuidados de saúde em ambulatório, face a uma pandemia, são:

  • Atrasar a propagação da doença;
  • Recuperar os doentes tão precocemente quanto possível;
  • Evitar as complicações da doença;
  • Evitar a morte.

No período de alerta pandémico (fases 3, 4 e 5), os cuidados de saúde em ambulatório assentam numa “rede de locais dedicados” a criar nas Unidades de Saúde de Ilha, nos Centros de Saúde e nos três Hospitais da Região.

A detecção dos casos possíveis pode ser efectuada por três formas:

  • Via telefónica, através da Linha de Saúde Pública (LSP) – Saúde 24, coordenada pela DGS;
  • Em consulta num serviço de saúde, público ou privado, nas situações em que o doente se dirige a um destes serviços;
  • Pela autoridade de saúde, aquando do seguimento de contactos próximos de um caso possível ou confirmado.

Em qualquer das situações, a triagem/identificação é efectuada por profissionais de saúde (Fluxograma 1) definições de caso apresentadas na Orientação Técnica DGS/GHA 2 (DRS/GRIPE 2).

Se os agentes da LSP confirmarem uma situação suspeita providenciarão, de imediato, a validação do caso por um médico da DGS com formação específica na área.

A partir desta triagem podem ocorrer três situações:

  1. O caso é encerrado, por não preencher os critérios de definição de caso possível.
  2. O doente fica sob auto-vigilância 1.
  3. O doente é considerado um caso possível (Fluxograma 2). O médico que o atendeu, com base na validação, desencadeia o processo de referenciação, se for caso disso.

Duas situações podem ocorrer:

a) Nas ilhas de São Miguel, Terceira e Faial o doente deve permanecer isolado, no “local dedicado” do Hospital ou Centro de Saúde que o atendeu onde terá acesso a instalações sanitárias para uso exclusivo, e manter a máscara cirúrgica colocada. O doente atendido em Centro de Saúde é transportado pelo SRPCBA para o Hospital de referência para ser internado em condições de isolamento respiratório (ponto 8.1), sendo aí realizada a colheita de amostras de produtos biológicos para diagnóstico laboratorial da infecção por vírus Influenza A(H5N1) (ponto 9). No caso do Hospital da Horta, a amostra biológica é enviada para o laboratório de referência de gripe da área de influência, ou seja, SEEBMO do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE (Ilha Terceira) segundo as indicações da Orientação Técnica DGS/GAH 5 (DRS/GRIPE 5), acompanhada do Anexo 2 da Orientação Técnica DGS/GAH 3 (DRS/GRIPE 3);

b) Nas restantes ilhas (Santa Maria, São Jorge, Graciosa, Pico, Flores e Corvo), onde não existe Hospital, o doente deve permanecer igualmente isolado no “local dedicado” da Instituição de Saúde, onde terá acesso a instalações sanitárias para uso exclusivo, e manter a máscara cirúrgica colocada. A colheita de amostras de produtos biológicos é apenas realizada nos Centros de Saúde com Internamento devendo, para o efeito, o doente ser transportado pelo SRPCBA até ao Centro de Saúde com Internamento mais próximo. As amostras são enviadas para o laboratório de referência de gripe da área de influência assistencial 2, segundo as indicações da Orientação Técnica DGS/GAH 5 (DRS/GRIPE 5), acompanhada do Anexo 2 da Orientação Técnica DGS/GAH 3 (DRS/GRIPE 3). Uma vez confirmado laboratorialmente o diagnóstico clínico, e durante o período de alerta pandémico (fases 3, 4 e 5), o doente deve ser transportado pela Força Aérea Portuguesa (FAP) para o Hospital de referência da sua área de influência assistencial.

Os Hospitais de referência para internamento dos casos possíveis validados são:

  • Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, EPE:
    • Ilha de Santa Maria
    • Ilha de São Miguel
  • Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE:
    • Ilha Terceira
    • Ilha Graciosa
    • Ilha de São Jorge
  • Hospital da Horta, EPE:
    • Ilha do Pico
    • Ilha do Faial
    • Ilha das Flores
    • Ilha do Corvo

Sempre que nas Instituições de Saúde se criem condições para receber e tratar casos possíveis validados poderão as mesmas constituir-se como instituição de saúde de referência.

O Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores (SRPCBA) é a instituição responsável pela coordenação do transporte de casos possíveis para o Hospital de referência com internamento (num “local dedicado”), incluindo o transporte até aos aeroportos, se for caso disso. A transferência de doentes inter-ilhas é da responsabilidade da FAP.

O médico responsável pelo internamento e/ou alta do doente, após a primeira avaliação clínica, deve notificar a Autoridade de Saúde Concelhia, em impresso próprio. A notificação deve ser, igualmente, realizada nos casos encerrados e sob auto-vigilância.


7.2. Actividades a desenvolver no ambulatório

As medidas em ambulatório destinam-se sobretudo ao período pandémico (fase 6). No entanto, o período de alerta pandémico (fases 3, 4 e 5) é o mais adequado para a aplicação das medidas preparatórias de resposta a uma pandemia, a saber:

  • Promover a preparação dos Planos de Ilha e de Instituição de Saúde e reforçar a coordenação dos serviços, nomeadamente para a preparação das respostas às necessidades durante a fase 6;
  • Incluir no Plano de Contingência das Instituições e/ou Serviços 3 um manual de procedimentos. A sua elaboração e aplicação ficarão a cargo dos responsáveis dos respectivos planos;
  • Adaptar o circuito de triagem e referenciação do utente, bem como as listas de verificação (Anexo B) aos Planos de Contingência dos Centros de Saúde, Unidades de Saúde de Ilha e Hospitais, de acordo com as orientações da DGS/DRS;
  • Promover a articulação das Instituições de Saúde sedeadas na mesma ilha, para a organização de “locais dedicados”, que se destinarão, exclusivamente, ao acolhimento de doentes com sintomatologia sugestiva da gripe, bem como no que respeita às necessárias medidas de controlo de infecção;
  • Promover a aquisição de uma reserva de EPI;
  • Caracterizar os serviços de urgência e avaliar a sua capacidade de resposta;
  • Identificar os serviços essenciais para funcionarem durante a fase 6, e proceder à definição de serviços mínimos para a sua manutenção;
  • Garantir, igualmente, cuidados a doentes com outras patologias, cujo tratamento não possa ser adiado ou interrompido;
  • Estudar as necessidades de consultas, considerando os cenários elaborados pelo INSA/ONSA para as ilhas (Anexo A);
  • Promover uma política de recursos humanos para fazer face à pandemia de gripe, considerando o previsível aumento na procura de cuidados, em simultâneo com o aumento do absentismo dos profissionais de saúde. Será de considerar a hipótese de proceder à mobilização de profissionais de saúde externos aos serviços (reformados, estudantes de medicina e enfermagem, etc.);
  • Estabelecer um programa de formação para os profissionais que trabalham nas Instituições de Saúde;
  • Identificar o número de pessoas e Instituições que durante a fase 6 possam precisar de cuidados especiais (ex. lares);
  • Promover a vacinação dos profissionais e da população susceptível, nomeadamente dos grupos de risco;
  • Promover a participação das Instituições de Saúde no SIAPC-G 4 , um dos suportes importantes em que assenta este Plano.

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1. O utente sob auto-vigilância é aquele que apresenta história epidemiológica concordante mas cujos sintomas não preenchem os critérios clínicos da definição de caso. Nestas situações, serão dadas instruções ao utente, no sentido de auto-avaliar o seu estado de saúde nos 3 dias seguintes, contactando de novo a LSP se desenvolver sintomas sugestivos.
2. Ilhas de São Miguel e Santa Maria para a Unidade de Genética e Patologia Moleculares (UGPM) do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, EPE (Ilha de São Miguel), e Ilhas de São Jorge, Graciosa, Pico, Faial, Flores e Corvo para o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular (SEEBMO) do Hospital de Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE (Ilha Terceira).
* A criar em cada Unidade de Saúde de Ilha, Hospital e Centro de Saúde.
3. Direcção Regional da Saúde, Autoridades de Saúde, Unidades de Saúde de Ilha, Hospitais e Centros de Saúde – urgência, consulta e internamento – e outras entidades privadas prestadoras de cuidados de saúde.
4. O SIAPC-G, concebido em parceria entre a Direcção Geral da Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública e Administração Central do Sistema de Saúde, será utilizado na Região, permitindo conhecer o número de pessoas consultadas por sindroma gripal e caracterizar cada doente por uma série de variáveis previamente definidas.

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