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5. Informação em Saúde e Vigilância Epidemiológica
Índice Listas Siglas 1. Introdução 2. Orientações 3. Cenários 4. Comando 5. Informação 6. Saúde Pública 7. Ambulatório 8. Internamento 9. Laboratório 10. Medicamentos 11. Comunicação Anexo A Anexo B
Plano de Contingencia dos Açores para a Pandemia da Gripe
   

A informação em saúde e a vigilância epidemiológica assumem, no PCA, particular importância, na medida em que fornecem, em tempo útil, dados para fundamentar a resposta das Instituições de Saúde, gerir os recursos disponíveis e possibilitar a avaliação de risco das populações.

O Sistema de Informação em Saúde – Açores Região Digital (SIS-ARD) permitirá a integração de sistemas e fontes de informação já existentes, e a criação de sistemas específicos capazes de desenvolverem competências no domínio da vigilância da gripe. O SIS-ARD, composto por módulos, centrado no utente e funcionando em rede no Serviço Regional da Saúde (SRS), será dotado de automatismos de “inteligência” (BI), pelo que deve receber, integrar, tratar, armazenar e difundir informação de forma organizada e coerente por meio electrónico, permitindo atingir aqueles objectivos em qualquer período da actividade gripal 1.

No período de alerta pandémico (fases 3, 4 e 5), a informação em saúde deverá permitir avaliar a morbilidade e mortalidade, devidas à gripe sazonal, justificando a melhoria da aplicação de um programa interpandémico de vacinação contra a gripe. Nestes períodos, a DRS deve dispor, igualmente, de um sistema de alerta precoce ou elementar, para detectar casos anormais devidos a um novo vírus de gripe, bem como pesquisar e controlar os respectivos contactos.

Durante a fase pandémica (fase 6), mantêm-se os mesmos objectivos das fases anteriores, sendo porém prioritário monitorizar a morbilidade (progressão geográfica) e a mortalidade da gripe pandémica nas populações. Revela-se, igualmente, de extrema importância monitorizar e avaliar o impacto da pandemia nas Instituições de Saúde, em particular, o absentismo dos seus profissionais, de forma a permitir a adequação da oferta.

Prevê-se que o SIS-ARD esteja concluído em 2009. Até à sua conclusão, os sistemas de informação existentes devem ser melhorados, eventualmente concebidos outros, com indicadores de saúde, registos, resumos estatísticos e relatórios 2, bem como ajustados com indicadores e outputs construídos, resultado da avaliação do sistema em funcionamento.

A DRS deverá dispor da seguinte informação:

1. Sistemas de Vigilância da Gripe (SVG), (Rede de Médicos Sentinela e Rede de Vigilância Hospitalar).

1.1. Rede de Médicos Sentinela (RMS) – Constituída, exclusivamente, por Médicos de Medicina Geral e Familiar
(Clínicos Gerais), cuja actividade se desenvolve em Unidades de Saúde de Ilha e Centros de Saúde. Estes médicos fazem a vigilância epidemiológica de algumas doenças, nomeadamente da gripe, notificando os novos casos de sindroma gripal junto do Centro Nacional da Gripe (CNG) 3, contribuindo, assim, para a identificação precoce de eventuais surtos.

Sendo pouco expressiva a adesão dos médicos na RAA à RMS e com pouca representatividade geográfica, torna-se necessário alargar a actual rede, cativando e integrando mais médicos, com o benefício de poderem ser realizados estudos específicos sobre a Região.

1.2. Rede de Vigilância Hospitalar (RVH) – Nos Serviços de Urgência (SU) dos Hospitais da Região deve ser monitorizada a ocorrência de novos casos de sindroma gripal diagnosticados em utentes que recorram àqueles serviços, como forma de contribuir para a detecção precoce de eventuais surtos gripais, no âmbito do Programa de Vigilância da Gripe (PVG).

No sentido de efectivar a vigilância ao nível hospitalar, propõe-se promover a integração efectiva dos três Hospitais da Região no PVG, contribuindo para a identificação das estirpes virais e, por conseguinte, para a descrição da actividade gripal anual. Os laboratórios que foram seleccionados na Região – Unidade de Genética e Patologia Moleculares (UGPM) do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, EPE (Ilha de São Miguel), e o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular (SEEBMO) do Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE (Ilha Terceira) – são os responsáveis por monitorizar a gripe nas suas áreas de influência assistencial, conforme vem expresso no ponto 9.

2. Informação baseada no aumento da actividade assistencial das Instituições de Saúde, como indicador indirecto de actividade gripal.

2.1. O Sistema de Informação para a Vigilância da Gripe assenta no movimento assistencial das urgências nas Unidades de Saúde de Ilha, Hospitais e Centros de Saúde, tendo por finalidade permitir a vigilância da gripe sazonal.

2.2. Resumos de alta hospitalar, segundo os Grupos de Diagnóstico Homogéneos (GDH) 4.

3. O Programa de Vacinação Contra a Gripe (PVCG) deve ser amplamente divulgado, a fim de melhorar a cobertura vacinal contra a gripe junto dos seguintes grupos:

  • Grupos de risco 5;
  • Profissionais de saúde;
  • Profissionais que integram as equipas de abate e veterinários;
  • Prestadores de cuidados domiciliários e em instituições, com contacto directo com pessoas dos grupos de risco ou coabitantes de crianças menores de 6 anos.

4. Sistema de alerta baseado no absentismo dos profissionais de saúde e no absentismo escolar. A monitorização do absentismo dos profissionais de saúde e da população escolar constitui um instrumento de vigilância e um indicador da ocorrência de surtos de gripe e respectivo impacto. O módulo “Recursos Humanos”, do SIS-ARD possibilitará a obtenção da informação sobre o absentismo dos profissionais de saúde, estando prevista a criação de um sistema de monitorização do absentismo escolar, através de um acordo a realizar com a Direcção Regional da Educação da Secretaria Regional da Educação e Ciência.

5. Sistema de monitorização diária da mortalidade nas Instituições de Saúde tendo em conta a distribuição dos óbitos por, causa de morte (óbitos atribuídos à gripe 6), idade, sexo e local de residência.

6. Acesso à base de dados de mortalidade do Ministério da Justiça, por protocolo a celebrar com esta entidade.

7. Recurso ao Sistema de Informação de Apoio à Prestação de Cuidados no âmbito da Gripe (SIAPC-G), por protocolo a estabelecer com a DGS. Este sistema permite, por um lado, caracterizar cada utente por uma série de variáveis e segui-lo nos contactos que tiver com as Instituições de Saúde e, por outro, controlar a dispensa de medicamentos para a gripe, através de meio electrónico, de forma a impedir que, para o mesmo episódio de sindroma gripal, o utente tenha acesso a mais do que uma receita.

Os sistemas acima preconizados deverão estar em funcionamento tão rapidamente quanto possível, para que se possa avaliar a evolução da situação de gripe e permitir a tomada de decisões adequadas a cada período e fase da actividade gripal. A revisão dos sistemas deve ser realizada de modo a garantir a análise da informação, a avaliação e a gestão de risco.

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1. O SIS-ARD será activado à medida que os módulos forem concluídos.

2. Estes indicadores estão contemplados na aplicação SIS-ARD – DW, Estatística e Apoio à Decisão.
3. O CNG está sedeado no Instituo Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa.
4. GDH – Sistema de Classificação de Doentes Internados em Hospitais em classes clinicamente coerentes e homogéneas, do ponto de vista do consumo de recursos. Estas classes são definidas a partir de um conjunto de variáveis que caracterizam clinicamente os doentes e que exigem os custos associados à sua estada no hospital – diagnósticos, intervenções cirúrgicas, e outros.

5. DGS - Circular Informativa nº 35/DSCS/DPCD, 26/09/07.
6. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10).

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