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A informação em saúde e a vigilância epidemiológica assumem, no PCA, particular importância, na medida em que fornecem, em tempo útil, dados para fundamentar a resposta das Instituições de Saúde, gerir os recursos disponíveis e possibilitar a avaliação de risco das populações.
O Sistema de Informação em Saúde – Açores Região Digital (SIS-ARD) permitirá a integração de sistemas e fontes de informação já existentes, e a criação de sistemas específicos capazes de desenvolverem competências no domínio da vigilância da gripe. O SIS-ARD, composto por módulos, centrado no utente e funcionando em rede no Serviço Regional da Saúde (SRS), será dotado de automatismos de “inteligência” (BI), pelo que deve receber, integrar, tratar, armazenar e difundir informação de forma organizada e coerente por meio electrónico, permitindo atingir aqueles objectivos em qualquer período da actividade gripal 1.
No período de alerta pandémico (fases 3, 4 e 5), a informação em saúde deverá permitir avaliar a morbilidade e mortalidade, devidas à gripe sazonal, justificando a melhoria da aplicação de um programa interpandémico de vacinação contra a gripe. Nestes períodos, a DRS deve dispor, igualmente, de um sistema de alerta precoce ou elementar, para detectar casos anormais devidos a um novo vírus de gripe, bem como pesquisar e controlar os respectivos contactos.
Durante a fase pandémica (fase 6), mantêm-se os mesmos objectivos das fases anteriores, sendo porém prioritário monitorizar a morbilidade (progressão geográfica) e a mortalidade da gripe pandémica nas populações. Revela-se, igualmente, de extrema importância monitorizar e avaliar o impacto da pandemia nas Instituições de Saúde, em particular, o absentismo dos seus profissionais, de forma a permitir a adequação da oferta.
Prevê-se que o SIS-ARD esteja concluído em 2009. Até à sua conclusão, os sistemas de informação existentes devem ser melhorados, eventualmente concebidos outros, com indicadores de saúde, registos, resumos estatísticos e relatórios 2, bem como ajustados com indicadores e outputs construídos, resultado da avaliação do sistema em funcionamento.
A DRS deverá dispor da seguinte informação:
1. Sistemas de Vigilância da Gripe (SVG), (Rede de Médicos Sentinela e Rede de Vigilância Hospitalar).
1.1. Rede de Médicos Sentinela (RMS) – Constituída, exclusivamente, por Médicos de Medicina Geral e Familiar
(Clínicos Gerais), cuja actividade se desenvolve em Unidades de Saúde de Ilha e Centros de Saúde. Estes médicos fazem a vigilância epidemiológica de algumas doenças, nomeadamente da gripe, notificando os novos casos de sindroma gripal junto do Centro Nacional da Gripe (CNG) 3, contribuindo, assim, para a identificação precoce de eventuais surtos.
Sendo pouco expressiva a adesão dos médicos na RAA à RMS e com pouca representatividade geográfica, torna-se necessário alargar a actual rede, cativando e integrando mais médicos, com o benefício de poderem ser realizados estudos específicos sobre a Região.
1.2. Rede de Vigilância Hospitalar (RVH) – Nos Serviços de Urgência (SU) dos Hospitais da Região deve ser monitorizada a ocorrência de novos casos de sindroma gripal diagnosticados em utentes que recorram àqueles serviços, como forma de contribuir para a detecção precoce de eventuais surtos gripais, no âmbito do Programa de Vigilância da Gripe (PVG).
No sentido de efectivar a vigilância ao nível hospitalar, propõe-se promover a integração efectiva dos três Hospitais da Região no PVG, contribuindo para a identificação das estirpes virais e, por conseguinte, para a descrição da actividade gripal anual. Os laboratórios que foram seleccionados na Região – Unidade de Genética e Patologia Moleculares (UGPM) do Hospital do Divino Espírito Santo de Ponta Delgada, EPE (Ilha de São Miguel), e o Serviço Especializado de Epidemiologia e Biologia Molecular (SEEBMO) do Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo, EPE (Ilha Terceira) – são os responsáveis por monitorizar a gripe nas suas áreas de influência assistencial, conforme vem expresso no .
2. Informação baseada no aumento da actividade assistencial das Instituições de Saúde, como indicador indirecto de actividade gripal.
2.1. O Sistema de Informação para a Vigilância da Gripe assenta no movimento assistencial das urgências nas Unidades de Saúde de Ilha, Hospitais e Centros de Saúde, tendo por finalidade permitir a vigilância da gripe sazonal.
2.2. Resumos de alta hospitalar, segundo os Grupos de Diagnóstico Homogéneos (GDH) 4.
3. O Programa de Vacinação Contra a Gripe (PVCG) deve ser amplamente divulgado, a fim de melhorar a cobertura vacinal contra a gripe junto dos seguintes grupos:
- Grupos de risco 5;
- Profissionais de saúde;
- Profissionais que integram as equipas de abate e veterinários;
- Prestadores de cuidados domiciliários e em instituições, com contacto directo com pessoas dos grupos de risco ou coabitantes de crianças menores de 6 anos.
4. Sistema de alerta baseado no absentismo dos profissionais de saúde e no absentismo escolar. A monitorização do absentismo dos profissionais de saúde e da população escolar constitui um instrumento de vigilância e um indicador da ocorrência de surtos de gripe e respectivo impacto. O módulo “Recursos Humanos”, do SIS-ARD possibilitará a obtenção da informação sobre o absentismo dos profissionais de saúde, estando prevista a criação de um sistema de monitorização do absentismo escolar, através de um acordo a realizar com a Direcção Regional da Educação da Secretaria Regional da Educação e Ciência.
5. Sistema de monitorização diária da mortalidade nas Instituições de Saúde tendo em conta a distribuição dos óbitos por, causa de morte (óbitos atribuídos à gripe 6), idade, sexo e local de residência.
6. Acesso à base de dados de mortalidade do Ministério da Justiça, por protocolo a celebrar com esta entidade.
7. Recurso ao Sistema de Informação de Apoio à Prestação de Cuidados no âmbito da Gripe (SIAPC-G), por protocolo a estabelecer com a DGS. Este sistema permite, por um lado, caracterizar cada utente por uma série de variáveis e segui-lo nos contactos que tiver com as Instituições de Saúde e, por outro, controlar a dispensa de medicamentos para a gripe, através de meio electrónico, de forma a impedir que, para o mesmo episódio de sindroma gripal, o utente tenha acesso a mais do que uma receita.
Os sistemas acima preconizados deverão estar em funcionamento tão rapidamente quanto possível, para que se possa avaliar a evolução da situação de gripe e permitir a tomada de decisões adequadas a cada período e fase da actividade gripal. A revisão dos sistemas deve ser realizada de modo a garantir a análise da informação, a avaliação e a gestão de risco.
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1. O SIS-ARD será activado à medida que os módulos forem concluídos.
2. Estes indicadores estão contemplados na aplicação SIS-ARD – DW, Estatística e Apoio à Decisão.
3. O CNG está sedeado no Instituo Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, em Lisboa.
4. GDH – Sistema de Classificação de Doentes Internados em Hospitais em classes clinicamente coerentes e homogéneas, do ponto de vista do consumo de recursos. Estas classes são definidas a partir de um conjunto de variáveis que caracterizam clinicamente os doentes e que exigem os custos associados à sua estada no hospital – diagnósticos, intervenções cirúrgicas, e outros.
5. DGS - Circular Informativa nº 35/DSCS/DPCD, 26/09/07.
6. Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
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