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A Pandemia de Gripe é um assunto que provoca alguma preocupação na opinião pública e que suscita um forte interesse nos Órgãos de Comunicação Social (OCS).
Tal como é referido no PCN “o meio mais eficaz de gerir questões sensíveis, relacionadas com a Saúde Pública, é abordar os problemas, as ameaças de uma forma directa e transparente.”
Um meio de contribuir para que a comunicação “e a percepção do público sejam adequados passa pela disponibilização atempada de informação ao público, (com inicio num período anterior à crise, fases 3, 4 e 5 de actividade gripal, e mantendo-se no período pandémico, fase 6) evitando, deste modo, a criação de um vazio comunicacional, que poderá dar azo a rumores, desinformação e especulação”.
A comunicação revela-se, deste modo, uma ferramenta imprescindível na gestão da ameaça e da crise.
Com este plano específico pretende-se estabelecer uma estratégia de comunicação que permita informar, em tempo útil, de forma clara e transparente, os profissionais de saúde e a população em geral, através dos OCS.
A criação de um Gabinete de Comunicação de Ameaça e de Crise constitui, por isso, um instrumento fundamental para a definição, a nível regional, de um plano de comunicação.
11.1. Gabinete de Comunicação de Ameaça e de Crise – principais funções
Este gabinete deverá ser composto por um médico de Saúde Pública, um especialista em comunicação para a saúde e um jornalista, assumindo esta estrutura uma forte componente técnico-científica.
As principais funções deste gabinete são preparar, elaborar e gerir a informação a divulgar pelos profissionais de saúde e OCS.
- Instituições Saúde/Profissionais de Saúde
- Preparar, elaborar e gerir a informação a divulgar pelos profissionais de saúde dos Unidades de Saúde de Ilha, Hospitais e Centros de Saúde.
- Promover e assegurar formação aos profissionais de saúde,
- Divulgar orientações técnicas da DGS,
- Divulgar orientações técnicas específicas da Região (DRS),
- Assegurar apoio às Instituições de Saúde,
- Estabelecer, coordenar e garantir circuitos de comunicação com as Instituições de Saúde e respectivos profissionais,
- Assegurar a troca de informação entre Instituições de Saúde e os profissionais de saúde,
- Solicitar a outros profissionais assessoria técnico-científica, no sentido de complementar e consolidar o plano de comunicação com os profissionais de saúde.
- Órgãos de Comunicação Social
- Promover acções de sensibilização e formação para profissionais da comunicação social,
- Avaliar e definir o tempo oportuno para a divulgação de campanhas,
- Criar estratégias de informação e comunicação para educar e capacitar os diferentes públicos alvo, através dos OCS, de modo a que fiquem preparados para adoptar os procedimentos adequados em caso de pandemia,
- Disponibilizar informação sobre a situação, propagação do vírus e riscos,
- Prestar informação de risco e prevenção (risco de infecção, segurança sanitária dos alimentos, manipulação de animais, etc.).
Este gabinete deverá, no que diz respeito à divulgação de material informativo pelos OCS, articular-se com o Gabinete de Apoio à Comunicação Social (GACS), tutelado pela Presidência do Governo.
A criação de um Gabinete de Comunicação de Ameaça e de Crise apresenta, igualmente, potencialidades para a gestão de outras situações de crise (crises sísmicas, catástrofes naturais…) que poderão ocorrer nos Açores.
Um gabinete desta natureza pode, ainda, e em situações de ausência de crise, potenciar, o papel das Instituições de Saúde na promoção da saúde, preparando e divulgando orientações, articulando procedimentos e estratégias, e promovendo campanhas de sensibilização e informação dirigidas à população.
11.2. Relacionamento com os Órgãos de Comunicação Social
A relação entre profissionais de saúde e jornalistas gera por vezes alguma complexidade. Os média exercem sobre os profissionais de saúde e respectiva tutela uma intensa pressão devido à escassez de tempo para divulgar a notícia e pela necessidade de transformar em palavras simples mensagens que podem ser de difícil compreensão.
Os jornalistas e os profissionais de saúde falam uma linguagem diferente, que poderá impedir um diálogo eficaz. Têm de facto objectivos em comum, como seja passar a mensagem, mas o controlo pela informação, exercido por ambas as partes, pode originar conflitos de interesse.
- Princípios
- A comunicação terá de ser fácil, usando linguagem acessível e socialmente aceite;
- A resposta ou esclarecimento às solicitações dos OCS, sobretudo em situações de desinformação ou rumores, deverá ser célere, transparente e consistente de modo a evitar especulações – a ausência de informação promove a especulação que por sua vez poderá fomentar o medo e o pânico;
- A relação com os OCS deverá ser estabelecida com frontalidade e transparência não só para evitar especulações mas para criar, também, uma relação de confiança e de credibilidade juntos dos profissionais da comunicação social e da população que recebe a mensagem/informação – confiança e credibilidade são valores facilmente destruídos por uma mensagem que não é coerente nem consistente. Percepções erradas da situação por parte do público podem, igualmente, originar o medo e o pânico;
- A mensagem terá de ser simples, directa e explicada com medidas e exemplos fáceis, de modo a ser compreendida pela maioria das pessoas – uma comunicação complexa e imprecisa gera desconfiança;
- A comunicação terá de ser eficaz, para tal, será necessário conhecer a população a quem se dirige a mensagem;
- A comunicação aos OCS deverá ser feita sempre pelos porta-vozes a definir, para que o seu conteúdo seja uniforme e coerente, não se dispersando pelo discurso de vários profissionais.
11.3. Porta-Voz
Preconiza-se a criação de dois porta-vozes, um para informação de carácter institucional, outro para informação técnico-científica.
- Formas de Relacionamento/Metodologia
- Entrevistas,
- Comunicado de imprensa – privilegiar este modelo para garantir informação aos noticiários transmitidos de manhã, devendo a sua distribuição ocorrer, preferencialmente, antes das 8H00,
- Conferencia de imprensa,
- Briefing – será indispensável nas fases 5 e 6, quando houver necessidade de actualizar informação. Sugere-se que sejam feitos dois por dia e programados, de modo a não coincidir com as horas dos principais noticiários, para que os jornalistas possam trabalhar a notícia. Mantendo-se o actual horário dos principais noticiários (12H00, 13H00, 18H00 e 20H00), deverá ser disponibilizada informação aos OCS às 11H00 e às 17H00,
- Mensagens (spots informativos para rádio e televisão) com informação útil ou de carácter imperativo (por exemplo: o que fazer, para onde dirigir-se, indicação do número de telefone através do qual seja possível tirar dúvidas, se deve ou não sair de casa, etc.),
- Campanhas específicas para crianças/escolas sobre atitudes e comportamentos adequados,
- Reuniões de sensibilização com directores e editores (fases 3, 4 e 5) apelando à sua colaboração,
- Acções de formação com jornalistas – “Os OCS podem ser parceiros importantes na divulgação de mensagens. Um bom jornalismo permite a tradução de questões técnicas e complexas em linguagem de fácil compreensão. No entanto, os OCS poderão induzir e potenciar a ansiedade do público e desproporcionar a percepção da ameaça. A cobertura jornalística desadequada tende a ser tanto mais frequente quanto mais limitada for a informação divulgada pelas autoridades competentes. É importante dar apoio aos profissionais dos OCS para melhorar o rigor científico na abordagem do tema.”
Será importante acompanhar os OCS para minimizar a divulgação de notícias pouco precisas, uma vez que os jornalistas nem sempre se manifestam satisfeitos com a informação institucional divulgada e pretendem construir a sua própria notícia com recurso a outras fontes. Será também necessário seguir o trabalho realizado pelos colaboradores/correspondentes dos OCS, existentes em praticamente todas as ilhas, que por norma procuram informações e testemunhos locais, transmitindo diferentes perspectivas.
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