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Horta , 23 de Novembro de 2018

SOS Cagarro contribui para o estudo do impacto do lixo marinho nas aves, afirma Diretor Regional dos Assuntos do Mar

O Diretor Regional dos Assuntos do Mar afirmou, na Horta, que a campanha SOS Cagarro é aproveitada para “potenciar o máximo de investigação que possa dar resultados para apoio à decisão, no que respeita às políticas públicas de conservação da natureza”.

 

Filipe Porteiro salientou, neste sentido, que todos os cagarros juvenis que são encontrados sem vida, “em bom estado, são preservados para servirem para uma série de investigações” que permitem estudar, por exemplo, o impacto do lixo marinho nestas aves.

 

É caso do projeto LIXAZ, a decorrer no Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, liderado pelo investigador Christopher Pham, que, desde 2015, já analisou o conteúdo estomacal de 415 cagarros, dos quais 90% continham microplásticos.

 

O Diretor Regional, que falava quinta-feira à margem da sessão de entrega dos prémios 'Cagarro D’Ouro', frisou que “estas aves nunca se alimentaram diretamente no mar, portanto, todo o lixo marinho é trazido pelos pais durante a alimentação na fase de ninho”.

 

Filipe Porteiro fez um balanço “bastante positivo” da campanha SOS Cagarro deste ano, com 5.076 aves juvenis salvas em todo o arquipélago, destacando as brigadas científicas “que se estão a afirmar nos vários grupos que trabalham nesta matéria e recolhem cagarros”.

 

O Diretor Regional afirmou que, ao longo dos anos, muitas pessoas e entidades se têm envolvido de forma “muito emocional” nesta iniciativa, tendo este ano sido distinguidos pelo trabalho e esforço cerca de cinco dezenas de cidadãos e entidades.

 

Relativamente ao SOS Cagarro Móvel, uma das novidades da campanha deste ano e que consiste na versão ‘beta’ de um formulário que podia ser acedido num smartphone com o objetivo de registar, em tempo real, o local onde os cagarros eram encontrados, Filipe Porteiro afirmou que “funcionou”.

 

Nesse sentido, referiu um voluntário da ilha do Pico que utilizou sempre aquela aplicação com as posições geográficas, tendo registado o salvamento de 65 cagarros.

 

O Diretor Regional adiantou ainda que, normalmente, São Jorge é a ilha onde são recolhidos mais cagarros, seguida do Pico.

 

“Os cagarros preferem falésias escarpadas para fazerem colónias de nidificação e São Jorge, pela sua topografia, é o local ideal para a reprodução destas aves”, afirmou, acrescentando que, por este motivo, torna-se “difícil” fazer censos e “apurar exatamente quantos cagarros nidificam nos Açores”.

 

Filipe Porteiro salientou a importância do projeto europeu LuMinAves, do Interreg MAC, do qual a Direção Regional dos Assuntos do Mar é entidade parceira beneficiária, que prevê melhorar a rede de salvamento de aves marinhas e infraestruturas de apoio nos arquipélagos da Maraconésia.

 

Iniciado em 2016, este projeto tem como objetivo “estudar o impacto da poluição luminosa nos cagarros, que são afetados negativamente pelas luzes, dado que se orientam pelas estrelas e com a iluminação artificial desorientam-se, caem e ficam vulneráveis a atropelamentos e a predadores, como cães e gatos”, disse.

 

Segundo o Diretor Regional, “por um lado, através deste projeto, vamos conhecer melhor o fenómeno da poluição luminosa e, por outro, diminuir os seus impactos, através da redução de luzes em sítios críticos”.

 

Filipe Porteiro frisou ainda que, através do LuMinAves, é possível realizar campanhas de sensibilização e de ‘ciência cidadã’, acrescentando que “os Açores estão a exportar o SOS Cagarro para a Madeira e as Canárias”.

 

O Diretor Regional referiu, no entanto, que as Canárias “têm outro desenvolvimento ao nível metodológico” no estudo das aves marinhas, sendo que os Açores incorporaram algumas dessas metodologias nas brigadas científicas do SOS Cagarro.

 

Coordenado Sociedad Espanola de Ornitologia, o LuMinAves tem como parceiros a Direção Regional dos Assuntos do Mar, o Fundo Regional de Ciência e Tecnologia, a SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e o Parque Natural da Madeira, envolvendo ainda outras entidades, como o Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, vários municípios e as empresas de eletricidade dos arquipélagos da Maraconésia.


GaCS/GM
 
 
 
Anexos:  
2018.11.23-DRAM-InvestigacaoLixoMarinhoCagarros(1).mp3 2018.11.23-DRAM-LixoMarinhoNosCagarros(2).mp3 2018.11.23-DRAM-BalancoSOSCagarro2018(3).mp3  
   
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