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“Sobre o Museu do Pico”
 

HISTORIAL

O Museu dos Baleeiros nas Lajes do Pico, o único em Portugal especializado na baleação artesanal, estacional e costeira, e o mais visitado dos Açores, em complementaridade com o Museu da Indústria Baleeira assume-se como a única estrutura museológica da Região com potencial para se tornar um espaço privilegiado de explicação global da baleação açoriana.
O edifício do museu, cuja área coberta ronda os 2000m2, é constituído por: um conjunto de três Casas de Botes Baleeiros do séc. XIX, complementado por uma tenda de ferreiro, anexa, integrada num novo corpo edificado – fortemente marcado por uma arquitectura de inspiração baleeira norte-americana – que alberga um arquivo e uma biblioteca especializada na temática baleeira; uma área, destinada à receção e loja de vendas, à Galeria de Exposições Temporárias, aos Serviços Educativos, ao Arquivo Fotográfico, à Direção e aos Serviços Técnicos e Administrativos; uma nova área, recentemente ampliada, que constitui um Auditório modernamente equipado.

O Museu da Indústria Baleeira, antiga Fábrica da Baleia  Armações Baleeiras Reunidas, Lda., em São Roque do Pico, é o primeiro museu industrial público dos Açores. A Sociedade das Armações Baleeiras Reunidas, Lda., constituída em 1942, articulou dois sistemas produtivos: a pesca da baleia (cachalote) e a produção dos seus derivados, assim como a sua respetiva comercialização. Esta unidade fabril, o maior e o mais importante complexo de transformação e processamento de cachalotes dos Açores, que laborou entre 1949 e 1984, é uma construção industrial, com uma área total de cerca de 1200m2.

A criação do Museu do Vinho, na Vila da Madalena, deve ser entendida como uma inevitabilidade histórica. A organização de um museu subordinado à temática da vinha identifica-se com a principal atividade económica exercida pela comunidade que ocupou este território, desde o seu povoamento. Na Madalena reúnem-se, de facto, várias condições favoráveis para se construir um museu de memórias e tecnologias agrícolas associadas ao vinho, quer pela extensão e expressão da vinha que domina a paisagem, quer pela existência de um espaço que, durante séculos, foi dedicado ao fabrico do vinho: as instalações agrícolas que pertenceram ao Convento do Carmo – magnífico imóvel, dos sécs. XVII-XVIII, mansão de veraneio dos frades carmelitas sedeados na cidade da Horta –, símbolo arquitetónico da fase opulenta do Ciclo do Vinho Verdelho, na ilha do Pico.


CARATERIZAÇÃO DO ACERVO

O Museu dos Baleeiros é constituído por cinco núcleos expositivos de longa duração: 1. núcleo do bote baleeiro açoriano – o conjunto do bote baleeiro e a sua palamenta representam os instrumentos utilizados pelos baleeiros açorianos na pesca da baleia e constituem-se como os elementos explicativos estruturantes do espaço onde se inserem (este sistema de pesca artesanal utilizava o arpão e a lança manuais como processo técnico de captura do cachalote); 2. núcleo da tenda de ferreiro – este espaço é a musealização de sítio de uma antiga oficina de ferreiro, estrutura que, devidamente integrada e contextualizada, apresenta uma importante coleção de ferramentas tradicionais (nesta unidade artesanal eram produzidos as alfaias e os artefactos – arpões, lanças, espeides, ganchos, etc. - ligados ao processo técnico da caça e transformação dos cachalotes); 3. núcleo do baleeiro em terra – este espaço procura materializar a vida dos baleeiros em terra, uma vez que, considerando a sazonalidade da atividade baleeira, estes exerciam a pesca da baleia parcialmente e de forma complementar, como homens da terra e do mar (objetos relacionados com o universo agro-pastoril, os transportes, a tecelagem, a debulha, a moagem, a matança do porco e o culto ao Divino Espírito Santo); 4. núcleo da construção naval - este espaço debruça-se sobre as técnicas e o processo de construção do bote baleeiro açoriano, uma herança da baleação americana, devidamente adaptada e melhorada, pelos primeiros grandes construtores navais da ilha do Pico, ao novo tipo de baleação – sedentária e estacional – praticada pelos açorianos (ferramentas de carpintaria, bote baleeiro à escala real, formas e moldes de construção, planos, projetos e modelos de construção); 5. núcleo da arte baleeira – neste espaço é apresentado um numeroso, diversificado e valioso conjunto de trabalhos em marfim e osso de cachalote e em madeira. O valor dos objetos que integram este núcleo decorre do seu interesse estético-simbólico e do seu valor cultural, patrimonial e artístico.

O Museu da Indústria Baleeira abrange o seguinte complexo construído: 1. a Fábrica da Baleia; 2. o edifício da tornearia-fundição e da tenda-de-ferreiro; 3. o edifício da antiga Carpintaria, reconvertida em Galeria de Exposições Temporárias; 4. o edifício da garagem da camioneta, adaptado a Reservas e a oficina; 6. o edifício da retrete; 7. a grande praça interior e o memorial público, 8. a grande chaminé, em alvenaria de pedra; 9. os guinchos e o moinho de carne, situados no exterior; 10. o pátio de desmancho e a rampa de varagem de cachalotes; 11. os depósitos de óleo de baleia, subterrâneos.
O edifício principal – a Fábrica -, onde outrora se desenrolava o processo técnico de produção de óleo, farinha, adubos e vitaminas, a partir da transformação do toucinho, da carne, dos ossos e dos fígados de cachalote, é constituído pelos seguintes equipamentos: duas caldeiras; quatro autoclaves de toucinho; dois autoclaves de carne e de ossos; aparelhos elevatórios de toucinhos; dois depósitos de combustível; dois secadores de carne e de ossos; uma prensa; um moinho de fígados; três autoclaves de fígados; um centrifugador de óleo; uma central eléctrica, com dois geradores; um frigorífico; uma camioneta; um moinho de farinhas; equipamentos para crivar, pesar e ensacar a farinha; depósitos de óleo de baleia; bombas para trasfegar o óleo e tubagens de pipeline.
O Museu da Indústria Baleeira é, portanto, um museu de arqueologia industrial. De caráter etnográfico são os objetos de corte e desmancho/esquartejamento de cachalotes, documentação referente à atividade da Fábrica, fotografias relacionadas com a atividade baleeira e com o Porto de São Roque do Pico, bem como as miniaturas de cachalotes e de embarcações baleeiras. Esta musealização industrial – “in situ” -, valorizada por obras de requalificação urbanística e paisagística, assume-se como um instrumento estratégico de desenvolvimento integrado do Concelho, capaz de contribuir decisivamente para a sua promoção cultural e identitária, à escala local e à escala regional e nacional

O Museu do Vinho compreende as seguintes estruturas edificadas: 1. a Casa Conventual dos Carmelitas (outrora a funcionar como habitação e adega, respectivamente no 1º andar e no rés-do-chão), agora utilizada como espaço expositivo de longa duração; 2. o armazém, estrutura que acomoda os alambiques (destilaria) e um espaço adaptado a receção, destinado ao acolhimento do público, com um lagar de duas bicas, em pedra; 3. uma construção de raiz que alberga um espetacular lagar de três bicas, em pedra (exemplar único nos Açores), cujo acesso é feito exclusivamente pela mata de dragoeiros; 4. um miradouro, em madeira pintada, com vista sobre os currais da vinha com 7,5 alqueires, anexa.
A localização geográfica privilegiada do Museu do Vinho, o poder mágico da paisagem natural – a vinha, os dragoeiros seculares, o Canal do Pico – Faial, o mar e a Montanha -, a dimensão poética e estética do lugar, a presença sóbria de uma arquitetura secular, de pedra vulcânica, em serena harmonia com uma nova linguagem arquitectónica, tão característica da América da emigração açoriana e uma museografia apelativa e dinâmica, em conjunto com a força arrebatadora da epopeia humana associada ao histórico ciclo do Verdelho, têm vindo a transformar este local num pólo importante de desenvolvimento turístico-cultural da ilha do Pico.
Com a recuperação, reutilização e valorização cultural destes espaços, pretende-se preservar o património cultural e ambiental da antiga propriedade dos Carmelitas, na Madalena (os edifícios, a vinha e os dragoeiros) e as memórias associadas à cultura da vinha e à produção do vinho na ilha do Pico.

 

 
 
 
 


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