Angra do Heroísmo 1 de Outubro de 2009
Intervenção do secretário regional da Saúde na cerimónia de abertura das “IV Jornadas de Psiquiatria dos Açores”
 

Discurso integral do secretário regional da Saúde, Miguel Correia, na sessão de abertura das "IV Jornadas de Psiquiatria dos Açores", que decorrem em Angra do Heroísmo:

"Felicito, antes de mais, o Hospital do Santo Espírito de Angra do Heroísmo pela organização destas jornadas pelo proveito que certamente retiraremos desta partilha de conhecimentos e de experiências.

Entre nós encontram-se especialistas de renome nacional e internacional, no campo da psiquiatria, da sexologia e da reumatologia.

Pela quarta vez são realizadas as Jornadas de Psiquiatria, este ano designadas “O Cérebro e a doença…uma contribuição”.

Mas mais do que uma contribuição ao nível científico e clínico, será sem dúvida um importante contributo para que se possam encontrar ao nível político as soluções mais adequadas para a sociedade.

Está em curso a apreciação dos comentários que o Plano Regional de Saúde mereceu durante a consulta pública.

Estão já aprovados quatro programas específicos: das doenças cérebro-cardiovasculares, das doenças oncológicas, das doenças respiratórias e da diabetes e luta contra a obesidade.

O próximo será o Programa Regional de Saúde Mental.

É intenção da Secretaria da Saúde que esteja concluído até ao fim deste ano.

Este programa será sem dúvida orientador da acção dos serviços para uma melhor prevenção e terapêutica das principais doenças mentais que afectam os Açorianos.

Admite-se que, tal como em todo o mundo, a depressão afecta entre 8 a 9% da população, o que representará cerca de 20.000 açorianos.

De resto, a depressão é transversal a todos os grupos etários e constituirá em 2020, de acordo com a OMS, a segunda causa de incapacidade.

Em relação aos Açores:

- No caso dos Jovens, para além da depressão, tornam-se frequentes situações de psicose associadas a consumos de substâncias e situações de para-suicídio;

- No caso dos adultos, o alcoolismo continua a destacar-se, assim como a depressão e outras psicoses.

- E no caso dos Idosos, destacam-se as demências em particular o Alzheimer, assim como novamente a depressão.

Tendo em conta que as doenças mentais representam um quinto das doenças em todo o mundo antevejo como prioridade o reforço de profissionais de saúde quer na rede de cuidados primários quer nos hospitais da Região, de forma a detectar cada vez mais cedo o aparecimento das doenças, dando corpo ao Programa Regional de Saúde Mental.

Por outro lado, outra preocupação política prende-se com o estigma que ainda existe na nossa sociedade em relação aos cidadãos portadores destas doenças.

Temos de continuar a combater esse estigma e desenvolver políticas que promovam cada vez mais a reinserção social dos doentes mentais após a alta.

Não nos podemos esquecer de que este é um problema que atravessa a sociedade.

Todos nós conhecemos pessoas que já passaram por alguns destes distúrbios e que, por esse facto, não são menos cidadãos do que os outros.

De resto os estudos confirmam: uma em cada quatro pessoas sofrerá de problemas de saúde mental, em algum momento da sua vida.

Estas jornadas são assim fundamentais para a consolidação do conhecimento nesta área e contribuirão bastante para que se possam encontrar as políticas mais adequadas.

Duas palavras finais:

Uma para me associar à homenagem prestada ao médico psiquiatra Carlos Pais Ferreira pelo exercício exemplar da sua profissão.

Outra para saudar todos os participantes destas jornadas e desejar um profícuo trabalho. Que este encontro valorize a vossa experiência.”

 

 

 
 
GaCS/RC
 

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